
Não é raro ouvimos em propaganda de carro: “design moderno”, “design arrojado” ou outro adjetivo. Pode soar bastante óbvio para algumas pessoas que trabalham na área, mas design não refere-se puramente ao visual. Bom design não é o mais bonito – até porque a beleza, todos sabemos, pode ser muito relativa.
Steve Jobs pregava isto com certa veemência: “Design não diz respeito a como as coisas se parecem, mas sim a como as coisas funcionam”. E muitas vezes se irritava quando os protótipos que os designers da Apple faziam não saíam tão user-friendly quanto ele concebia em sua mente. Tinha que ser perfeito e intuitivo ao máximo.
Eu amo música, especialmente rock (sou músico também, e por um bom tempo tentei fazer disso minha profissão definitiva; até hoje, estou sempre tocando em alguma banda, mas isso é outra história). Minha iniciação musical coincide com o advento do compact disc no mercado. No início dos anos 90, comecei a consumir ferozmente os álbuns das bandas de Seattle, e também Metallica, Faith No More, Stone Temple Pilots e outras coisas, que eu comprava com minha mãe no shopping ou em andanças quase diárias na galeria do rock – morando na Av. São João, bastava atravessar a rua. Em casa, colocava o CD no player e passava horas ouvindo, cantando junto, acompanhando com as letras do encarte.
Agora, ao ponto: diferente do MP3 ou a própria internet, acredito que essa mídia – o CD – me fez dedicar um bom tempo à atividade de ouvir música, com certa profundidade, pois eu ouvia os discos inteiros, examinando encarte com fichas técnicas, sabendo quem escreveu o quê… Enfim, adquirindo um conhecimento mais completo do artista e da obra em questão. Sem falar no quanto isso ajudou meu inglês.
Não me entenda mal, eu não sou um entusiasta das velhas tecnologias como os vinilófilos. Usei muito o Napster e também vibrei com o “reposicionamento” da indústria fonográfica, adoro meu iPod e navego na web o dia inteiro como qualquer pessoa das gerações Z, Y e boa parte da X. Mas é fato que a internet mudou radicalmente – e continua mudando – a forma como absorvemos conhecimento e a relação que temos com alguns produtos, como música, notícias, livros etc.
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